Aliados por uma causa
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Atração sexual pela deficiência e sua interface com a sexualidade das pessoas deficientes

A matéria abaixo foi extraída do site Bengala Legal.

Pesquisa sobre devotees
Por Lia Crespo

Marcelo é um homem de 45 anos, profissional bem-sucedido, pós- graduado, pai de um adolescente. Anda bem-vestido, mora num condomínio de luxo, joga golfe com os amigos frequentemente, nas férias viaja sempre ao exterior e dirige um carro do ano importado.

Ao cruzar com ele, apressado, na Avenida Paulista, você nem desconfia, mas Marcelo traz consigo um segredo que somente duas pessoas conhecem. Uma delas é sua terapeuta. A outra, sua mulher que, ao mexer em seus guardados, encontrou umas fotografias e descobriu o grande segredo de Marcelo: ele é um devotee.

Pessoas como Marcelo se sentem sexualmente excitadas pela deficiência das pessoas. Para ele, a “preferência número um é pólio, seguida de paraplegia e amputações”. Embora sua “predileção” seja “por deficiências envolvendo as pernas”, no que se refere às amputações, ele também gosta delas nos braços.
Para serem excitantes, as amputações podem ser de “todos os tipos, curtas, longas, múltiplas ou simples”. Marcelo tem preferências bem específicas: “Gosto muito de pés de tamanhos diferentes. Gosto de mulheres que andam de muletas, usem aparelhos ou cadeiras de rodas, botas de compensação de altura. Mas, gosto também de mulheres que só mancam um pouco e quase nem se percebe que tiveram pólio. Não gosto de outras deficiências como, por exemplo, paralisia cerebral”.

Mas, quem são os devotees? Quais suas preferências? Para responder a essas e outras perguntas, em 1999 iniciei uma pesquisa entre estudiosos do assunto. Desse modo, descobri que, desde 1880, a literatura médica relata casos de devotees. Todavia, foi somente a partir da internet que o fenômeno passou a ser mais conhecido.

A partir daí, comecei um diálogo virtual com devotees e, por meio de um questionário postado no site “Pesquisa sobre Devotees e Pessoas Deficientes” (sites.uol.com.br/devotee), fiz minhas próprias descobertas. Assim, fiquei sabendo que 84% dos pesquisados são homens, heterossexuais, com uma faixa etária média de 30 anos de idade. A porcentagem de mulheres é de 16%.

Há uma grande preferência por amputações (78,57%), seguida por sequelas de pólio e outros tipos de deficiência (21,43%). Quanto mais severa e incapacitante for a deficiência, mais atraente ela se torna para 14,29% dos pesquisados. A maior parte deles (71,43%) tem predileção pela presença de algum tipo de equipamento assistivo (aparelhos, bengalas, muletas, cadeira de rodas etc.).

Siri, homem de 35 anos, empresário na área de eletrônica, casado, afirma: “É a falta do membro que me atrai. Prefiro mulheres com amputação dupla (sem nenhum braço ou sem nenhuma perna). Gosto também de amputações múltiplas, mas fico com um sentimento de dó, porque realmente é difícil. O que mais me atrai mesmo são as mulheres sem braços que utilizam os pés para fazer suas tarefas diárias”.

A partir de minha pesquisa, tive a oportunidade de trocar mensagens com diversos devotees que, protegidos pelo anonimato, contaram-me seus medos, suas confidências, histórias e culpas. Eles expressaram a angústia decorrente da descoberta e convivência com sentimentos e desejos que eles mesmos não entendiam, nem explicavam. Sobretudo, revelaram a aflição pelo isolamento causado pelo enorme segredo que carregam.

Geralmente, a descoberta da atração pela deficiência ocorre na infância e adolescência (em 85% dos pesquisados), ocasionando sentimentos de “vergonha”, “desconforto”, deslocamento (“por ser diferente”) ou “satisfação”. Marcelo conta que foi “ter consciência desta atração com sete anos. Já adolescente, eu tinha plena consciência da atração e me sentia muito envergonhado, porque me parecia ser o único cara do mundo com este tipo de sentimento. Mesmo depois de adulto, ainda me sentia muito constrangido em ter este tipo de atração. Só fui me sentir bem quando descobri que não era o único e também quando pude compartilhar esta minha atração com outras pessoas”.

Alguns devotees, os chamados “pretenders”, sentem-se sexualmente estimulados ao fingirem ser deficientes. Ficam excitados ao utilizar, em público ou privadamente, equipamentos como cadeira de rodas, muletas, bengalas, aparelhos ortopédicos.

É o caso de Gabi, 26 anos, jornalista, casada, mãe de duas meninas: “Desde criança eu me excito imaginando histórias, imaginando que sou deficiente, cada dia, por uma razão diferente. Nunca fingi isso em público, mas essa idéia me excita demais. Fico imaginando como as pessoas vão me olhar, como eu vou me sentir. Estou ensaiando para alugar uma cadeira de rodas e umas muletas. Ainda não deu certo, mas pretendo fazer isso brevemente”.

Se você acha isso estranho, fique sabendo que também existem com casos documentados desde 1824 os “wannabes”, ou seja, pessoas que têm o desejo de se tornar, de fato, deficientes. Pela minha pesquisa, 14,29% dos devotees afirmam ter frequentemente desejos que caracterizam pretenders/wannabes, enquanto 7,14% deles dizem apresentar essas características apenas eventualmente.

Conversei, via internet, com um rapaz cujo desejo é ter sua perna esquerda amputada do joelho para cima. Outro tem desejos de se tornar paraplégico. Para se excitar sexualmente, costuma usar uma meia de alta compressão para provocar a sensação de adormecimento das pernas. Há relatos (de difícil confirmação) na internet de pessoas que chegaram às vias de fato, pagando para terem suas pernas amputadas. De longe, este é o lado “freak” da comunidade, que causa estranheza até mesmo entre os devotees. “Essa ideia maluca nunca me passou pela cabeça”, afirma Siri.

Por “vergonha e medo de serem tratados com preconceito”, a maioria dos devotees (57,14%) nunca contou a ninguém sobre essa preferência. Os que contaram (42,86%), o fizeram para pessoas de seu relacionamento muito íntimo, como esposa(o), namorada(o) e mãe. Esses relataram que a reação sobre essa confidência despertou sentimentos que foram da incredulidade à compreensão, passando pelo choque e a recriminação.

Gabi, jornalista de 26 anos e casada, relata sua agonia: “O difícil é conviver com isso. Sinto muita culpa. O fato de saber que existem outros assim realmente conforta e alivia, mas não resolve. Eu queria parar com isso, entende? Ser normal, só isso. Às vezes, eu consigo. Por exemplo, quando estava grávida da minha filha, por medo de que ‘Deus me castigasse’ e fizesse com que ela nascesse com algum problema, não pensei uma única vez no assunto. Até pensei que estava ‘curada’. Mas depois de um tempo, quando ela já estava maiorzinha, voltei a pensar e a me excitar com essa idéia. Agora, estou grávida de novo, de mais uma menina. Dessa vez, não estou com esse medo. Acho que o problema é meu, não da minha filha que está na barriga. Não acho que Deus ‘castigaria’ uma criança que está na minha barriga por um pensamento meu, por um ‘pecado’ meu. É muito ruim sentir uma coisa ‘proibida’, que não dá pra falar com ninguém. Por outro lado, é muito excitante”.

Osvaldo, 30 anos, solteiro, funcionário público, com curso superior, confessa que: “Devo ter levado alguns anos para tomar ciência do que sentia e confesso que fiquei intrigado, sem saber ao certo o que significava, coisa que não sei até hoje”. Ele faz parte da grande maioria dos devotees (92,86%) que não consegue explicar para si mesmo os motivos pelos quais possui essa fascinação. Mais da metade deles (57,14%) usa palavras como “estranho”, “desvio sexual”, “fetiche” e “tara” para definir sua preferência.

Dos pesquisados, 42,86% acreditam ou já acreditaram que a sua fascinação poderia ser uma “doença ou um desvio de personalidade”. Já, Paulo, 29 anos, solteiro, assistente contábil, com curso superior incompleto, faz parte dos 28,57% que acreditam que se trata de “uma atração normal”: “Eu vejo de forma natural, existem pessoas que gostam de loiros, morenos, altos, baixos. Eu gosto de deficientes”.

Sites para download de fotos e vídeos com pessoas deficientes
Além da visibilidade para o assunto, a internet também revelou um fenômeno mais perturbador. Há um sem número de sites (na maioria estrangeiros), através dos quais os devotees podem comprar DVDs e/ou fazer o download de fotos e vídeos com pessoas com deficiência.

Uma visita a esses sites nos remete a um universo paralelo, cujas regras do que é erótico e sexy é o avesso do que conhecemos. Há seções dedicadas às mulheres com amputações (divididas em subseções com amputações de membros superiores, inferiores ou ambos), usuárias de cadeira de rodas, muletas, bengalas, aparelhos ortopédicos, próteses, enfim, uma ampla gama de deficiências e equipamentos.

Alguns desses sites são o braço virtual de empresas e associações geridas por mulheres com deficiência, como é o caso da ASCOTWorld (Coalizão Mundial de Apoio aos Amputados), fundada por Jama Bennett, cujos vídeos são vendidos por mais de US$ 100,00, “dos quais 60% vão para a modelo e 40% ficam na Associação para cobrir custos de reprodução, postagem do material, propaganda e mão de obra”. Outra empresa que produz e distribui fotos e vídeos é a CD Produções, operada por Carol Davis. Elas garantem que as fotos e os vídeos “são benéficos para as modelos não só do ponto de vista financeiro como também por promover um aumento em sua autoconfiança e maior consciência de sua sexualidade”.

Ainda que parte das imagens expostas nesses sites tenha sido feita para a finalidade a que acabou se destinando, nem sempre isso é verdade. O jornalista Gilberto Dimenstein, na matéria “Vidas invisíveis”, relata a luta de Cláudia Marques Maximino, 37 anos, representante das vítimas da talidomida no Brasil, para impedir a divulgação clandestina de sua imagem num desses sites consumidos por devotees. Para Dimenstein, o prazer dos “devotees” é uma “aberração do tipo pedofilia”, que a Internet ajudou a “ganhar escala planetária”. Considerando os instantâneos fotográficos de pessoas subindo escadas, descendo de ônibus, atravessando ruas, e, especialmente, levando em conta as fotos que parecem ter sido tiradas em hospitais e centros de reabilitação, a tendência é acreditar que nem todas as mulheres que aparecem nesses sites tenham autorizado a divulgação de suas imagens. Para Claudia Maximino, “é uma violência ver-se exposta desse jeito”.

Quase todos os devotees entrevistados (85,71%) classificaram como sendo “ilegal”, “condenável” e “um absurdo” o fato de que muitas das pessoas com deficiência não tenham autorizado o uso de sua imagem ou sequer tenham conhecimento da veiculação de suas fotos ou vídeos nos sites. Apesar disso, todos os devotees que responderam o questionário acessam esses sites e 71,43% se sentem sempre excitados por seu conteúdo. Quase todos colecionam (78,57%) fotos e vídeos de pessoas deficientes que foram obtidos via internet (42,86%) ou por outras formas (28,57%).

E como se sentem as pessoas com deficiência em relação aos devotees?
As reações vão de um extremo ao outro. Há pessoas com deficiência que abominam os devotees, enquanto outras acreditam que a descoberta e o contato com seus “admiradores” podem aumentar sua autoestima e estimular sua sexualidade. Helena, que apresenta sequelas de poliomielite, afirma que: “Ninguém pode condenar os devotees, principalmente, se, de fato, eles forem capazes de, em algum momento, realizar como mulher, de maneira plena, sem medo ou vergonha, uma de nós. Só quem conheceu um homem devotee de verdade, não esses garotos tolos que às vezes aparecem, com mais curiosidade do que excitação, para ser capaz de julgar. Eu posso e gosto muito!”.

Por sua vez, Ana Lúcia questiona: “Não será preconceito também imaginar que as pessoas com deficiência sejam tão destituídas de sensualidade a ponto de somente os devotees se sentirem atraídos por elas? Ou seja, não será preconceito imaginar que uma pessoa deficiente que não teve um relacionamento com um devotee nunca tenha tido experiências sexuais prazerosas?”.

Uma mulher amputada, “de 1,65cm, cabelos pretos, olhos pretos”, que adora “praia, fotografia, música”, deixou um recado num site da internet, dizendo que gostaria de “conversar com homens que sentem atração por mulheres que tenham minha deficiência específica, para que eu possa saber como é o universo de um devotee”. Uma das mensagens que recebeu dizia: “Das duas uma: ou você está brincando com os devotees ou então está tão doida pra dar que esqueceu que é mulher e não uma coisa para ser usada sexualmente pelos caras. Vai tratar essa autoestima moça!”.

Pessoas com deficiência que aceitam se envolver com devotees sofrem de uma baixa autoestima? Pessoas deficientes serão apenas vítimas indefesas em potencial na relação com os devotees?

Alguns devotees entendem que somente problemas com a autoestima podem explicar a má vontade que algumas pessoas com deficiência demonstram para com eles. É o que pensa Carlos: “É errado algumas pessoas deficientes pensarem que todos nós só conseguimos enxergar suas deficiências. Elas nos provocam de todas as maneiras e, quando não nos aproximamos delas, passam a odiar os devotees e a avisar as pessoas do ‘mal’ que fazemos. Outras não conseguem aceitar que alguém goste delas como são, ou seja, portadoras de uma deficiência, e preferem o mundo dos sonhos, onde o parceiro finge que a deficiência não existe. Mas, a deficiência lá está, e a falta de um bom diálogo e aceitação tornam a vida menos prazerosa”.

Mas nem todos os devotees concordam com essa análise. Osvaldo diz acreditar que as pessoas com deficiência devem “sentir-se espantadas, indignadas, ultrajadas, pois não deve ser fácil entender como a deficiência, que a grande maioria gostaria de não portar pela dor, sofrimento e preconceito que gera, possa ser vista como um atrativo por outra pessoa, é realmente algo estranho”. Paulo, 31 anos, casado, engenheiro mecânico, tenta colocar-se no lugar das pessoas com deficiência e reflete: “Fico pensando como me sentiria se fosse um deficiente e fosse abordado por um devotee. Acho que não gostaria”.

“Creio que deva ser um sentimento de estranheza, raiva e até ojeriza ou desdém. Como poderia algo que causa dor, sofrimento, limitações ser objeto de atração para outrem?”, pergunta-se Kefli, 32 anos, solteiro, educador, com pós-graduação. Ricardo, 30 anos, solteiro, representante comercial, com curso superior, imagina que as pessoas com deficiência “não se sintam bem, pois devem achar ou que somos loucos ou que estamos nos aproximando somente para satisfação sexual”.

De acordo com Carolyn L. Vash, a “atração de alguns homens por mulheres com amputações tem sido há muito considerada uma forma de variação sexual proveniente de perturbações emocionais”. Para ela, à medida que as pessoas com deficiência começaram a conversar entre si, vieram à luz suas experiências traumáticas: “Várias pessoas deficientes que, sem saber, se uniram a tais indivíduos descrevem como pesadelo a descoberta da fonte de excitação de seus parceiros. A percepção de que havia sido procurada como uma ‘esquisita’ levou Peggy a pensar em suicídio. Por outro lado, Naomi, após um período de tempo, foi capaz de determinar onde realmente se encontrava a patologia: não nela mesma, mas no parceiro”.

Ellen Winchell, em seu livro “Lidando com a perda do um membro. Um guia prático para viver com amputação para você e sua família”, acredita que é “vitalmente importante que aqueles com amputações, suas famílias e os profissionais que os servem, se tornem informados acerca da existência dos ‘admiradores’. Pode ser confuso e traumático, especialmente para aqueles que estão se adaptando à recente perda de membros, descobrir indivíduos atraídos por eles, sobretudo em virtude de sua deformação física e resultante deficiência. Além disso, ser ativamente perseguido por um ‘admirador’, quando está claro que você não escolhe ser objeto deste centro de interesse, pode se provar uma experiência extraordinariamente estressante e ameaçadora”.

Por outro lado, num mundo onde a beleza é sinônimo de simetria e um corpo para ser considerado sexy tem de ser magro, jovem e perfeitamente esculpido, os devotees ao se sentirem eroticamente estimulados justo por aquilo que para muitos é motivo de repulsa propiciam a oportunidade para questionar os preconceitos em relação às pessoas com deficiência e sua sexualidade.

Alison Kafer acredita que, justamente, ao travar contato com os devotees, muitas mulheres com deficiência podem recobrar sua autoestima e recuperar sua auto-imagem como seres dotados de sexualidade: “Embora ainda sinta algum desconforto a respeito dos devotees”, Alison afirma “sentir uma afinidade” com as mulheres que decidem posar para fotos divulgadas em sites para devotees: “Essas mulheres estão se recusando a aceitar passivamente os estereótipos impostos a elas pela cultura dos não deficientes. Ao afirmar, ativamente, seu direito de falar sobre, usar e dispor de seus corpos da forma como consideram conveniente, essas mulheres deficientes estão dando poderosos exemplos alternativos de como observar o corpo feminino com deficiência”.

Informação é poder
Ao contrário do que acontece nos Estados Unidos e Inglaterra, no Brasil, a interface entre o devoteísmo e a sexualidade das pessoas com deficiência é desconhecida. Praticamente restrito ao mundo virtual, o assunto ainda não é seriamente discutido pelas organizações de pessoas com deficiência, nem pelos profissionais dedicados à reabilitação.

Tradicionalmente, pessoas com deficiência, em virtude do despreparo da sociedade em acolhê-las, não têm muitas oportunidades de exercer a sua sexualidade. Muitas, ao tomarem conhecimento da existência dos devotees, imaginam que estes podem ser a resposta às suas preces. Outras, por outro lado, crêem que envolver-se com devotees significa necessariamente expor-se ao abuso.

Sob o pretexto de protegê-las, não se fala de sexo com as pessoas com deficiência, embora seja a ignorância que as coloque em risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a aids. Não se fala também sobre devotees, favorecendo a possibilidade de pessoas deficientes sofrerem com abusos emocionais ou negando a elas a chance de perceberem suas deficiências sob outro prisma. É o acesso ou não à informação que determinará se pessoas com deficiência serão vítimas ou pessoas empoderadas que tomam conscientemente suas próprias decisões e se responsabilizam por elas.

Embora seja mais cômodo fazer de conta que o fenômeno não existe e seja difícil abordá-lo sem cair na armadilha do preconceito, acredito firmemente que a discussão desarmada é a melhor (e talvez a única) estratégia de que dispomos para compreender o devoteísmo e o que ele representa ou pode representar para as pessoas objeto de sua fascinação. A informação é poder.

http://www.deficienteciente.com.br/2010/10/atracao-sexual-pela-deficiencia-e-sua.html

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